Entre a seca e as chuvas: O segredo para não perder seu pasto (e seu dinheiro).
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O período de transição entre a seca e o início das chuvas é uma das fases mais estratégicas do manejo de pastagens no Brasil. Na maior parte do pais, após meses de estiagem, as forrageiras enfrentam baixa umidade do solo, temperaturas reduzidas e muitas vezes altura inadequada de manejo, a junção desses fatores resulta em queda acentuada na taxa de crescimento e qualidade nutricional do pasto.

Com as primeiras chuvas, ocorre uma retomada rápida do crescimento vegetal, e é exatamente nesse momento que o manejo criterioso faz toda a diferença para restabelecer o potencial produtivo das pastagens.


Comportamento do pasto durante a seca

Durante a seca, o crescimento das forrageiras é limitado por fatores climáticos adversos:

  • Em regiões onde o inverno coincide com a seca, a escassez de água, temperaturas baixas e menor fotoperíodo reduzem a atividade metabólica das plantas.
  • Em regiões onde o período seco ocorre em momentos de temperaturas mais altas, a escassez de água aliada a altas temperaturas e maior fotoperíodo, causam um maior esgotamento das reservas da planta.
  • Pode ocorrer senescência acelerada, com taxa de morte de tecidos superior à de crescimento.
  • Passa por um aumento da proporção de colmos e material morto, prejudicando a estrutura e o valor nutritivo do pasto.

Essas alterações impactam diretamente o desempenho animal, pois:

  • O pasto se torna mais fibroso, menos proteico e palatável, reduzindo a ingestão de forragem e sua digestibilidade.

Antes do início da estação chuvosa, o produtor deve avaliar a altura e proporção folha/colmo das forrageiras.
Duas situações críticas são comuns:

  • Pasto subpastejado: Alto, com excesso de resíduo, material morto e colmos lignificados.
  • Pasto superpastejado: Muito abaixo da faixa de pastejo, devido sobrecarga animal, com baixa massa de forragem e menor quantidade de reservas.

Essa avaliação é o ponto de partida para definir o manejo da transição seca-águas.


A Importância do Manejo na Transição

A transição é o momento de preparar o pasto para acelerar seu ciclo de crescimento.
O acúmulo de forragem não ocorre de forma vigorosa imediatamente após a primeira chuva: Primeiro, a planta precisa mobilizar suas reservas e emitir novas folhas para intensificar sua capacidade fotossintética. Com a emissão das novas folhas, o acúmulo de forragem é intensificado.

Se o pasto terminou a seca com excesso de material morto:

  • Realize uma roçada estratégica ou aumente temporariamente a taxa de lotação.
  • O objetivo é rebaixar o pasto à altura de saída recomendada, estimular o perfilhamento e reestruturar o dossel.
  • Utilize animais de maior exigência nutricional para consumir o material fibroso em curto período.
  • O rebaixamento da altura do capim deve ser feito antes do início das chuvas, para acelerar a resposta do pasto quando elas se consolidem.

Se o pasto foi superpastejado:

  • As plantas perderam grande parte de suas reservas e área foliar.
  • Evite novo rebaixamento, e permita um descanso até que a forrageira atinja a altura de pastejo.

O equilíbrio entre altura de manejo, taxa de lotação e período de descanso é determinante para o sucesso da recuperação.


Manejo do Pastejo no Início das Chuvas

Com o verde das primeiras chuvas, o erro mais comum é iniciar o pastejo cedo demais.
Nesse estágio, as plantas precisam restabelecer o sistema radicular e repor os carboidratos de reserva.

  • O pastejo antecipado desvia energia da planta, prejudicando a recuperação das raízes e a absorção de nutrientes.
  • É fundamental respeitar o período de descanso até as plantas atingirem sua altura de pastejo ideal.

Exemplo:
Gramíneas tropicais como Urochloas devem ser pastejadas apenas quando atingirem o mínimo de 25 a 35 cm de altura e Megathyrsus devem ser pastejados apenas quando atingirem 50 a 90 cm de altura, podendo essas medidas variarem conforme a cultivar.


Adubação e Recuperação da Fertilidade

O início das chuvas é o momento ideal para a adubação de manutenção das pastagens.
Essa prática repõe os nutrientes exportados pelo pastejo e mantém a fertilidade do solo.

  • Baseie a adubação sempre em análises de solo atualizadas.

Sustentabilidade e Conservação do Solo

Além da produtividade, o manejo deve considerar a sustentabilidade ambiental.

No início do período chuvoso, o potencial erosivo das precipitações é maior, tornando essencial manter a cobertura vegetal para reduzir o impacto das gotas de chuva sobre o solo.

Essas práticas aumentam a longevidade do sistema e promovem o equilíbrio entre a produção animal e a conservação do solo.


Estratégias Nutricionais na Transição

Enquanto o pasto se recupera, é essencial evitar perda de condição corporal do rebanho.
Para isso, recomenda-se o uso de:

  • Feno, silagem e capineiras como alimentos volumosos;
  • Suplementos concentrados ajustados à fase de transição.

Essa suplementação estratégica mantém o desempenho animal e pode reduzir o superpastejo, permitindo que o pasto acelere seu ciclo de crescimento novamente.


Conclusão

O período de transição entre a seca e as águas é decisivo para o sucesso da pecuária a pasto.
O manejo correto garante a recuperação das forrageiras, o melhor aproveitamento de nutrientes e a sustentabilidade do sistema.

Para resultados consistentes:

  • Avalie a estrutura do pasto antes das chuvas;
  • Controle a altura e taxa de lotação;
  • Aplique adubação e suplemente os animais de forma adequada;
  • Mantenha o foco em planejamento e observação constante do pasto e dos animais.

O manejo bem executado na transição seca–águas é fundamental para dar início a um ciclo produtivo mais eficiente e sustentável

Fontes

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GOMIDE, J. A.; PEREIRA, O. G.; MAURÍCIO, R. M. Fisiologia de plantas forrageiras e manejo de pastagens. Lavras: UFLA, 2017.

MACEDO, M. C. M.; ZIMMER, A. H. Manejo de pastagens tropicais. Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 2018.

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