Dicas para planejar a adubação nitrogenada em pastagens estabelecidas

No Brasil, o início das chuvas é caracterizado por proporcionar maior absorção de nutrientes por parte das pastagens. Por essa razão, esse momento é o mais propício para a realização da adubação nitrogenada.

Nesse período, a estratégia da adubação nitrogenada, quando realizada corretamente, contribui com a mantença da fertilidade ou até mesmo auxilia para o aumento da produção forrageira da pastagem. Por isso é uma medida bastante utilizada por produtores.

Entretanto, por ser uma estratégia que demanda alto custo, a adubação nitrogenada deve ser realizada com bastante cuidado, respaldo técnico e da forma mais eficiente possível, caso contrário o investimento demandado pode não ter o retorno produtivo e financeiro desejado.

Por isso veremos a seguir a melhor forma para proceder com a adubação nitrogenada nas pastagens, além de algumas dicas sobre como analisar, do ponto de vista produtivo e econômico, esse importante incremento produtivo nas pastagens.

O papel do nitrogênio nas pastagens

Em pastagens com manejo mais intenso, o nitrogênio é, possivelmente, o nutriente mais importante, sendo o principal responsável por oferecer grandes incrementos na produção em massa, ajudando na oferta de forragem suficiente para a mantença da alta lotação animal por unidade de área.

Além disso, o nitrogênio melhora significativamente o valor nutritivo da forragem, aumentando sua proteína bruta e a proporção de folhas, promovendo, consequentemente, o aumento da taxa de passagem da forragem e maior consumo animal.

Dessa forma, quando aplicado nas pastagens, o nitrogênio aumenta a produção de matéria seca e a disponibilidade de forragem para os animais.

Por consequência, aumenta a capacidade de suporte da área, principalmente na época das chuvas — período em que a eficiência de resposta à adubação nitrogenada é maior.

Além disso, vale ressaltar que, para essa adubação, várias são as fontes de nitrogênio que podem ser utilizadas nas pastagens. Entre as fontes mais comuns, pode-se citar: ureia (45% de N), sulfato de amônio (21% de N) e nitrato de amônio (33% de N).

Como promover a adubação nitrogenada?

Da mesma forma que deve ocorrer qualquer manejo realizado no solo, a adubação nitrogenada é uma estratégia que deve ser realizada mediante um planejamento bem definido, sendo esse o ponto de partida para uma eficiente aplicação da fonte de nitrogênio.

Como já dito, a adubação nitrogenada pode ser realizada tanto na formação de pastagens quanto na manutenção da sua fertilidade em pastagens já estabelecidas – estratégia que será abordada neste artigo.

Adubação nitrogenada em pastagens já estabelecidas

No caso da adubação nitrogenada de manutenção faz-se a necessidade, primeiramente, que todos os outros nutrientes estejam balanceados.

Dessa maneira, para que a adubação nitrogenada traga ganhos produtivos e econômicos, é essencial a prévia realização da análise do solo que, com o auxílio do relatório do agrônomo responsável, ajudará na tomada de decisão.

Também é importante ponderar as características da pastagem, como espécie, clima, nível de fertilidade do solo, uso de irrigação ou não, estágio de degradação da área etc.

Já o melhor período para a adubação deve estar alinhado com a época mais propícia para a resposta da planta em utilizar esse nutriente, ou seja, nos meses onde ocorrem mais chuvas e temperaturas elevadas, iniciados em meados de setembro no Brasil central.

Também é aconselhável parcelar a adubação — sempre ao longo da estação das chuvas — propiciando o melhor aproveitamento dos adubos pelas plantas.

Eficiência bioeconômica da adubação nitrogenada

Apesar de trazer avanços significativos quando bem manejada, a adubação nitrogenada é uma estratégia que demanda alto investimento, por isso é fundamental calcular a sua eficiência bioeconômica, ou seja, conversão do N-fertilizante em produto animal (kg de ganho de peso ou produção de leite/kg nitrogênio aplicado).

Nessa conjuntura, a eficiência bioeconômica da adubação nitrogenada em pastagens estabelecidas depende de 3 aspectos:

  • Interação entre a eficiência de conversão do N-fertilizante em forragem (kg de matéria seca/kg de nitrogênio aplicado).
  • Eficiência com que a forragem será consumida pelo animal, representada pela eficiência de pastejo.
  • Eficiência com que há a conversão da forragem em produto animal (kg de matéria seca/L de leite ou ganho de peso).

O melhor entendimento dessas 3 eficiências parciais será essencial para definir a eficiência de conversão do N-fertilizante em produto animal.

Estes, quando associadas com a relação de troca entre preços de insumos ou do leite ou ganho de peso gerados, determina a eficiência bioeconômica da adubação nitrogenada de pastagens.

Faz-se também fundamental que seja analisado o retorno econômico da adubação nitrogenada em cada caso, ou seja, quanto será o incremento de matéria seca para cada kg de nitrogênio e quanto esse incremento resultará em carne ou leite.

Mas antes disso é fundamental calcular o quanto de forragem foi produzida, além de planejar a forma com que essa forragem será aproveitada pelo animal, sem desperdícios – uma boa opção pode ser o aumento da taxa de lotação de animais na área pastejada.

Geralmente, a eficiência da adubação nitrogenada em pastagens, associada ao melhor planejamento tendem a garantir boa eficiência bioeconômica, gerando lucros à atividade pecuária.

Mas, para isso, todo o planejamento deve estar embasado em critérios técnicos, ambientais, econômicos e de manejo inerentes a todo o sistema de produção, já que um único critério não será determinante da adoção (ou não) da adubação nitrogenada em pastagens já estabelecidas.

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