Ataques de lagartas nas pastagens: saiba como controlar

A degradação das pastagens é motivo de muita preocupação na pecuária, já que seu potencial de afetar diretamente a sustentabilidade de qualquer sistema produtivo é muito grande. Várias são as causas da degradação. Dentre elas  tem o ataque de pragas como cigarrinhas, percevejos e, com menor frequência, o ataques das lagartas.

Olhando especificamente para as lagartas, vemos que esses insetos são considerados pragas ocasionais em pastagens; mas quando estão em altos níveis populacionais, têm o potencial em reduzir a quantidade de forragem disponível. E isso tem sido um fato mais comum nos dias atuais, devido aos cultivares transgênicos de culturas resistentes à lagarta e a proximidade com lavouras.

Os ataques das lagartas precisam de controle logo no início do estabelecimento da pastagem, garantindo que ela germine e se estabeleça como esperado.

Conheça o comportamento das lagartas quando atacam as pastagens, além das formas mais recomendadas para o seu controle e monitoramento.

Principais espécies de lagartas que atacam pastagens

O estabelecimento das pastagens é o momento mais afetado pelos ataques das lagartas, por isso é importante entender como funciona o ciclo das espécies mais recorrentes, para propor medidas racionais de manejo que evitarão futuros danos econômicos à atividade.

No Brasil, as duas espécies responsáveis pelos ataques das lagartas são: Lagarta-do-cartucho (do milho) e Curuquerê-dos-capinzais.

1 Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Também conhecida como lagarta militar, a lagarta-do-cartucho apresenta um ciclo biológico que compreende quatro fases: ovo, lagarta, pupa e adulto.

Em média, essa espécie precisa de três dias para a incubação dos ovos, gerando lagartas. A fase das lagartas dura de 16 a 20 dias e constitui o estágio responsável pelos maiores danos à lavoura. Ao eclodirem, alimentam-se raspando as folhas.

Mas à medida que se desenvolvem, passam a consumir as folhas a partir das bordas para o centro, destruindo-as por inteiro e gerando grandes prejuízos.

Por fim, a fase pupal do ataques das lagartas-do-cartucho dura dez dias; e a fase adulta, em média 15 dias, com a fêmea iniciando a postura ao redor do quarto dia após sua emergência.

2 Curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes)

Quando pensamos em ataques das lagartas nas pastagens, essa espécie é — para muitos — a mais importante.

curuquerê-dos-capinzais se diferencia facilmente da lagarta militar por causa da sua locomoção, levantando o dorso como se estivesse “medindo palmos”.

Já a lagarta militar se caracteriza por se arrastar sobre a superfície das folhas.

Seus ovos são colocados sobre as folhas, com a eclosão das lagartas ocorrendo após um período de 7 a 12 dias. A fase larval dura cerca de 25 dias.

Por fim, o período pupal ataques das lagartas curuquerê-dos-capinzais tem duração aproximada de 14 dias, quando então ocorre a emergência do adulto.

Monitoramento de mariposas adultas é fundamental

O fator mais importante para o manejo desse tipos de pragas é entender que os ataques das lagartas ocorrem tanto no momento do estabelecimento das pastagens quanto em pastagens estabelecidas, mas quando atacam no início da germinação o prejuízo pode ser bastante grande. Por isso o combate nesse momento é importante.

Vale lembrar, ainda, que ataques de lagartas também pode ocorrer em lavouras, como milho.

Entretanto, se essa lavoura vizinha da pastagem for composta por material resistente ao ataque das lagartas, estas podem migrar para a pastagem não escolhendo entre panicum ou brachiaria, causando sérios danos às duas variedades.

Ao eclodirem os ovos na pastagem, as lagartinhas já começam a consumir a folha de capim até completar seu crescimento.

Estudos indicam que cada lagarta consome em média 14 mil mm² de folha de capim até completar seu crescimento.

Por isso é muito importante que o controle dos ataques das lagartas seja feito o mais cedo possível, nos primeiros cinco a dez dias da germinação, e para pastagens já estabelecidas ficar atento ao período de chuvas. Mas para que haja o correto controle é fundamental que se realize um eficiente monitoramento de mariposas adultas — afinal, serão elas as responsáveis por depositar os ovos.

Esse monitoramento das mariposas pode ser feito com armadilhas de luz negra ou de feromônio, que é um processo menos oneroso que o monitoramento das lagartas na pastagem.

Além disso, o tempo para agir é maior depois de percebido um aumento populacional de mariposas. Após a observação do aumento populacional de mariposas, espera-se que ocorra um aumento na população de lagartas no campo 2 a 3 semanas após, possibilitando fazer o controle dependendo dessa população.

Métodos de controle dos ataques das lagartas

Não há dados claros que definam exatamente o nível de controle dos ataques das lagartas em pastagens. Esse controle tende a variar conforme seu estado; mas, de maneira geral, a quantidade de 50 a 100 lagartas por metro quadrado já justifica o início das operações de controle.

Esse controle pode ser realizado tanto pela forma química quanto biológica.

1 Controle químico dos ataques das lagartas nas pastagens

São utilizados inseticidas de baixa toxicidade e curto poder residual, e os produtos recomendados variam conforme os tipos de ataques das lagartas:

  • Lagarta-do-cartucho (do milho): o controle químico deve ser à base de fosforados, clorofosforados, carbamatos e piretroides, entre outros. Para mariposas pode ser usada isca preparada com 1 kg de melaço, 10 litros de água e 25 gramas de metomil.
  • Curuquerê-dos-capinzais: o controle feito para as ninfas pode ser feito usando thiamethoxam ou carbofuran granulados, aplicados de um dos lados da touceira. Já para adultos é recomendada a aplicação de um inseticida seletivo que não atinja inimigos naturais da cigarrinha, como carbaril, triclorfon e malation.

2 Controle biológico dos ataques das lagartas nas pastagens

É interessante no combate aos ataques das lagartas por não ter período de carência nem comprometer inimigos naturais, caso de alguns percevejos e a tesourinha.

Nesse contexto, produtos microbianos à base de Bacillus thuringiensis são utilizados para o controle de curuquerê-dos-capinzais. Há ainda outros testes que utilizam fungos como Beauveria bassiana, que em experimento conduzido se mostrou eficaz.

Nesse estudo especificamente foi verificado que as lagartas (Curuquerê e Militar) não se desenvolviam normalmente, e que após três aplicações a ação foi confirmada com alto índice de lagartas esporuladas (infectadas).

Fontes

Embrapa
Lagarta nas pastagens

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